A nova lei complementar muda as regras do jogo para as indústrias.

 

A Reforma Tributária, regulamentada pela Lei Complementar nº 214/2025, representa uma das maiores transformações já realizadas no sistema tributário nacional. E um dos setores mais diretamente impactados é a indústria brasileira, que há anos convive com complexidade, cumulatividade e altos custos tributários.

Neste artigo, analisamos os impactos concretos e legais da reforma para o setor industrial.

 

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| O que diz a LC 214/2025 sobre os novos tributos?

A Lei Complementar nº 214/2025 regulamenta os novos tributos criados pela Emenda Constitucional nº 132/2023:

O modelo adotado segue a lógica de um IVA Dual, de padrão internacional: um tributo não cumulativo com crédito amplo em cada etapa da cadeia produtiva.

 

| O que a Reforma Tributária muda na tributação da indústria?

Com a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), a principal mudança será a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por um modelo de Imposto sobre Valor Agregado, cobrado no destino e com crédito amplo ao longo da cadeia produtiva.

Esse novo modelo vai eliminar a chamada “tributação em cascata”, em que um imposto incide sobre outro, algo que sempre foi um entrave à competitividade da indústria nacional.

Na prática, isso significa:

 

|  Como fica a carga tributária para a indústria?

Ainda é cedo para cravar se haverá aumento ou redução real da carga tributária, pois a alíquota definitiva da soma entre IBS e CBS ainda será definida após as fases de testes e consolidação dos dados fiscais.

Porém, segundo a LC 214/2025, o objetivo central é neutralidade tributária, ou seja, as alíquotas devem ser calibradas de forma que não aumentem a carga global da economia.

No caso da indústria, isso tende a ser benéfico, já que o setor era um dos mais penalizados pelo modelo atual, com carga tributária próxima de 30% em alguns segmentos.

Segundo estimativas da Receita Federal, a alíquota padrão do IVA pode chegar a cerca de 26,5%, mas isso ainda será regulamentado. Mesmo que esse número pareça alto, ele substituirá uma série de tributos cumulativos, o que tende a gerar compensações positivas no fluxo de caixa e na precificação.

 

|  Quais são os principais benefícios da Reforma para a indústria?

A indústria, de modo geral, será um dos setores mais beneficiados com o novo modelo tributário, especialmente por conta dos seguintes fatores:

1. Crédito amplo e não cumulativo

A indústria poderá se apropriar de créditos integrais de IBS e CBS em todas as suas compras de insumos, bens e serviços, algo que não acontecia com o PIS e Cofins, por exemplo, especialmente no regime cumulativo.

2. Fim da guerra fiscal

Com o imposto sendo cobrado no destino e com alíquota única estadual/municipal, a guerra fiscal entre estados perde espaço. Isso traz previsibilidade e justiça na concorrência, principalmente para empresas que atuam em múltiplas regiões.

3. Eliminação da cumulatividade

O IVA elimina o efeito cascata da tributação, o que melhora a eficiência da cadeia produtiva e a competitividade dos produtos nacionais no mercado externo.

4. Melhoria no ambiente de negócios

Com um sistema mais simples, claro e digital, o Brasil tende a se tornar um ambiente mais atrativo para investimentos industriais nacionais e estrangeiros.

 

|  Quem ganha com a reforma no setor industrial?

 

|  Pontos de atenção: o que ainda precisa de cuidado?

Apesar dos avanços, alguns pontos ainda exigem atenção especial por parte do setor industrial:

1. Imposto Seletivo

Além do IBS e CBS, será criado o Imposto Seletivo (IS), que substitui o IPI e incidirá sobre produtos prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como:

A regulamentação sobre o IS ainda está em elaboração, e será definida por leis específicas. Portanto, segmentos industriais que produzem esses itens devem acompanhar de perto a sua implementação.

 

2. Transição tributária

A mudança será gradual, de 2026 a 2033, exigindo planejamento financeiro e contábil cuidadoso. Veja o cronograma previsto:

 

 | Como a indústria pode se preparar?

As indústrias precisam, desde já, se organizar para enfrentar a transição tributária de forma eficiente. Algumas recomendações incluem:

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